Tema

SAPIENS MIDIATIZADO: A CONSTRUÇÃO SOCIAL DO CONHECIMENTO ENTRE INTERAÇÕES, MEIOS, CIRCULAÇÃO E MEDIAÇÕES SOCIAIS.

Com sapiens midiatizado queremos nos referir a diversos processos midiáticos em suas relações com as transformações mentais da espécie. Diversas perguntas podem ser enunciadas nessas relações. Como pensar a construção social do conhecimento quando essa está mediada pelos processos midiáticos? Em que medida a experiência mental da espécie já incorpora os processos midiáticos como referência de suas construções e inferências? Como os atores em rede vem participando desses processos? Em que medida as instituições e organizações estão se adaptando a esses novos ambientes? Em especial, de que forma a Universidade, a pesquisa e os campos científicos participam desse conserto? Os meios em redes digitais, agenciados pelos sistemas especialistas e inteligência artificial, se interpõem nesses processos, de forma a colocar questões incisivas ou secundárias? Como as temporalidades e espacialidades afetam condições de produção e de recepção, incluindo as práticas sociais, na produção social de conhecimento? Que epistemologias e metodologias podem dar conta dessa nova complexidade, em meio a zonas de indeterminação e incertezas?

Essas relações podem ser formuladas em diversos níveis epistemológicos e temáticos. No plano epistemológico, trata-se de colocar em debate a diversidade. Essa pode ser assim abordada, conforme abordagem de Stig Hjarvard em nosso primeiro seminário:

 

As discussões sobre midiatização aqui no Brasil se desenvolvem na perspectiva da semiótica, filosofia da comunicação e antropologia. Em um contexto nórdico e europeu, isso é bem diferente. Muitas das pessoas envolvidas em discussões sobre a midiatização vêm de estudos de mídia com uma orientação para a sociologia ou sociologia cultural, e muitos norte-europeus têm uma inclinação empírica mais forte. (HJARVARD, 2018).

 

Essa síntese abrange parte do que discutimos nos três seminários realizados. Há diferenciações, sutilezas epistemológicas (por exemplo, a perspectiva da economia política de Bernard Miège; a antropológica de Stefan Bratosin e Mihaela Tudor) que fazem parte das diferenciações ainda em demanda de articulações epistemológicas, ou clareza das agonísticas em curso. Ou, na esfera da sociologia cultural, as diferenciações entre abordagens construtivistas e institucionalistas.

Particularmente, no Grupo da Unisinos (mas também em diversos PPGs do Brasil, assim como no GT de Epistemologia da Compós), ao lado dos aportes conceituais das diversas áreas de conhecimento referidas acima, e que acolhemos com satisfação, queremos assinalar uma constante busca de perspectivas propriamente comunicacionais, com um duplo objetivo: de ampliar a produtividade daqueles conceitos para descobertas sobre nossos objetos; e de participar da constituição epistemológica do campo de conhecimento em comunicação.

O Grupo da Unisinos comporta uma diversidade epistemológica – com a especificidade de que as interlocuções, em dez anos de histórico, vem permitindo um trabalho sobre os contraditórios que se mostra positivo tanto para as pesquisas empíricas como para as reflexões epistemológicas.

 

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Essa diversidade epistemológica, referência da composição das mesas, pode ser especificada:

  1. Na perspectiva das epistemologias da circulação (baseada nas relações entre produção e recepção e no estudo de outras estruturas de circuitos), considerando-se os novos meios (em redes digitais, diversificados em seus formatos de indexação, interação e agenciamentos conforme projetos de inteligência artificial) ou meios anteriores (rádio, televisão e impresso), incluindo as relações entre eles;
  2. Nas construções sociais de conhecimento, especialmente na configuração de novos circuitos e ambientes e ambiências, que se configuram nos processos de circulação e para além desses;
  3. Nas relações entre meios e mentes, quando reflete sobre as intersecções, defasagens entre imaginários e suas realizações, frustrações e promessas, incluindo as transformações das experiências mentais da espécie quando em contato, interação e ativações de novos meios (redes, indexações, interações planetárias, inteligência artificial).